quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Menina
De início, sempre fui a "menina do papai", não era muito a minha mãe. Acreditava em super-heróis, que no caso era sempre meu pai; acreditava em fadas; amava vestidos, era uma menina delicada, decidida e forte. Eu só queria pegar a borboleta mais bonita....
Ao longo dos anos que se passaram, a presença de um herói em minha vida foi se apagando, a cada tombo, a cada lágrima, a cada descoberta. A cada realidade.
Uma coisa que não mudou tanto, é que sempre fui intocável, nunca passei da menina que queria uma borboleta, a menina frágil...
Intocável porque não estava aqui - em solos firmes-, estava lá, nas nuvens.
O que eu passei, muita gente não passou. Posso até dizer que é bem fácil me julgar, falar que eu não "sofri"- porque eu sofri, não tiro a minha razão. Eu guardo muita coisa ruim pra mim, muitos acontecimentos ruin e traumatizantes pra mim. Apenas pra mim. Eu penso que, isso foi o pior. Eu não deveria ter crescido sozinha.
Quem sou eu agora? Não tem o herói, nessa cidade não vejo borboletas -apenas maripousas, não tem campo, não tem vestido de boneca, não tem ar puro, e, tão poucas vezes, a verdade.
Sabe o que eu queria? Uma boa dose de verdade, aqueles tempos passados, queria mais contos, mais sonhos.... eu queria a minha borboleta, junto com a minha girafa, queria aquela grama verde, o vento do mês do outono, queria saltar e pensar que estou voando....
Em tempos atrás, eu já voei, fui quem eu queria ser.
Aqui é um lugar frio, meus sonhos me ferem, na verdade eu não acredito.
Já me perguntaram quem sou eu, digo que....
aliás, nem tudo se pode responder. Sou uma pessoa nas entrelinhas....
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