Tecnicamente tudo o que eu escrevo aqui é pra quem não me vê; e, já que ninguém vai me ver, posso escrever o que eu quiser, sem censura - porque sei que a minha cara não vai queimar quando alguém me vier dando aquele olhar, como se eu fosse uma criminosa, uma assassina, uma traidora...
Eu conto o que eu quiser contar -e não vou dizer que é mentira, que eu inventei só por inventar! É MENTIRA! Cada pouquinho aqui, tem minhas verdades, as coisas que martelam a minha cabeça!
Hoje, exatamente agora, examente nesse mês de março, estou um pouco triste, nostálgica talvez. As lembranças fazem de mim assim, desse jeito. É fácil falar pra esquecer, pra pensar que as pessoas quando morrem vão pra um lugar melhor... que o sofrimento acabou. Não, não dá pra esquecer.
Admito que me sinto totalmente fora do direito de estar sentindo tudo isso, mas as datas não me deixam esquecer...
A cada dia, uma menina, tentava se reerguer, ela perdera tudo... mas, sabe que ela se acostumou com aquela vida onde nada importava. Não importava mais a roupa que ela vestia, os sapatos que calçava, o cabelo dessarrumado, a falta de cor... Nada!
-Não que a vida dela fosse sem graça, que ela fosse uma esquisitona, não! Ela não era... e naquele fundo do poço ela encontrou um pouco de felicidade, nas memórias, nas lembranças, nos sons de risadas que ela dava, no que ela pode alcançar um dia... - lembranças de um tempo colorido, claro...
Sim, ela encontrou a felicidade na escuridão! Não, não pensem que isso era bom. Ela tinha apenas as lembranças de um tempo feliz, apenas, nada mais. Ela, em si, não era mais, apenas os pensamentos eram assim, felizes, ela não. Ela tinha o mesmo olhar distante e triste, mesmo quando o sol batia nos seus cabelos claros, não dava ninguém a impressão de calor, nem cor...
Quando foi que tudo se perdeu?
A menina não sabe, só sabe que perdeu e pronto. Perdeu e não tem mais como encontrar, talvez até ela tenha se perdido em si, não sei, mas ela não sabe o que dizer...
Não sei, não sei... Eu não sei, ela não sabe me contar!
E, fim de história. Sim, ela passou por tudo isso, hoje ela tem dias ensolarados, sem contar que aquela fase durou bem pouquinho, mas da escuridão a gente não esquece, ela sorriu milhões de vezes, teve muitas pessoas ao seu redor, ela voltou a ser ela. Só que hoje, eu sou um pouquinho dela, e vou contar essa história de novo porque as coisas voltam, por mais que haja superação. Hoje é o dia decadência, amanhã eu volto ao normal, mas já é pra quem não me vê, deixa eu contar, deixa eu escrever. 'Eu vou dizer que estou bem' só pra deixarem em paz, pra eu evitar dar demasiadas explicações...
Deixa eu contar mentiras!...