terça-feira, 7 de setembro de 2010

Do you want to meet?

Ela acordou bem cedo, naquela manhã de segunda, comumente, trocou de roupa, pegou sua bolsa, pôs seus sapatos, lavou o rosto, bebeu um copo de leite, escovou os dentes, pegou a chave e saiu pela porta. Sem nada na cabeça; ela segurava algo.
Fez quase o mesmo caminho que sempre fazia para o trabalho, mas, desta vez, mudou uma rua - o que deixava mais longo o seu caminho-, foi parar numa daquelas ruas com árvores, sombras e folhas pelo chão. Nas árvores, havia flores amarelas, ypes. Um breve sorriso apareceu em seu rosto. Continuou andando, em seus ouvidos, uma música familiar, conhecida, tocava na rádio...
Lembranças e lembranças surgiram á sua mente...

[...]

De repente se projetara a sua frente, no meio de tantas pessoas, ele. Pela primeira vez, ele. Seus sentidos se aguçaram. Perfume que ela tão bem conhecia, rosto e corpo que seus olhos costumavam a ver numa fotografia. Um breve gelo no coração, atitudes nulas, mãos geladas, face avermelhada e aquela ânsia... 
Tudo bem, acabou, ele passou e nem notou sua presença. '-Tudo bem, vamos lá, o trabalho me espera', ela disse a si mesma....
Chegando no trabalho, pôs seu avental, prendeu seu cabelo num rabo-de-cavalo, e começou a descer as cadeiras. O café já estava quase pronto; pães de queijo devidamente saborosos- dentre tantas outras coisas...
A tarefa do dia era simples: Sorrir e perguntar se precisava de algo mais, ir até o balcão pegar o pedido e levar até a mesa. Pronto, era só mais um dia comum. Ela tentava, fazia de tudo para não lembrar... aliás, o que aconteceu? Por que ele lembraria? Tudo bem...

Fim do expediente; ela limpa as mesas, ergue as cadeiras, limpa o chão... arruma tudo... Tira o avental, solta seus cabelos, cuida dos lábios e vai ao ponto de ônibus.

 [...]


Tudo o que ela queria era que, ao menos uma vez, alguém parasse ao seu lado, um alguém que ela sabe quem, e dissesse 'pra onde você vai? - eu vou junto'; sentasse do seu lado e conversasse até a última parada do ônibus, e dissesse, ao invés de 'adeus' , 'até amanhã, aqui, no mesmo lugar'...


Mas, não, isso não ocorreu, e no caminho do trabalho ela lembrou desse dia, junto com a música que tocava, claro. E não mais sorriu, ergueu a cabeça, afastou os pensamentos e andou mais depressa, quase em desespero, como se estivesse atrasada; mas sabemos que não; subiu a rua - e lá estava ele. Sorrindo, de camisa xadrez, cabelos lisos, curtos e pretos, calça jeans, all star... 
Eles se esbarraram, ele a segurou e lhe devolveu algo que sempre estivera em sua mão, mas, desta vez, ela já tinha outra coisa nas mãos... Ele disse: 'toma, é seu', 'sim, é meu', 'e aquele dia... eu deveria ter devolvido os outros...', 'e porque você lembraria de mim?' , 'não sei, te acho engraçada, um pouco apressada', 'me dá' , 'e, eu ia te devolver, sabia que ia te encontrar'; 'estou atrasada' - foi tudo o que ela disse, saiu disparada, mas, antes 'até amanhã... aqui, no mesmo lugar, um pouco mais cedo', ela riu...

Ele deu as costas, ela olhou pra trás... andou normalmente... Uma nova música tocava...

 

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